Termos como aquecimento global, desenvolvimento sustentável, poluição, reciclagem, desperdício (de água principalmente), extinção de espécies, preservação ambiental, conscientização ecológica e correlatos já fazem parte do cotidiano de crianças (efeito escola) e adultos (efeito "televisivo"). Ong’s, sociedades e associações várias pugnam pela defesa do meio ambiente – ora radical, berrada a plenos pulmões, ora pacífica (trabalho árduo de refletir para o outro um modo de pensar…). Falar sobre preservação ambiental já caiu na mesmice, no campo do modismo: é cult, é chic, é "normal", é sinal de que se está antenado com as tendências mundiais…
 
Já existiram várias "ondas", entre inúmeras, a de tentar salvar da extinção determinadas espécies como baleias, tartarugas marinhas, onças pintadas, por exemplo; outras se alicerçam na problemática da poluição e, atualmente, o ícone mais expressivo de defesa diz respeito à preservação da floresta amazônica (que erroneamente crêem ser propriedade do Brasil, pois é compartilhada com os países limítrofes…).
 
O interessante é que se formos pensar em termos de devastação, quase nada é dito, mostrado sobre o cerrado! Vemos a floresta como exuberante, "pulmão do mundo" e, nosso cerrado, lamentavelmente, sucumbe ao "progresso" das cidades, ao crescimento das lavouras e do pasto…
 
Receio que a discussão sobre a Amazônia esbarra mais na "soberania nacional", em balizes econômicas do que propriamente numa conscientização do que significa o desmatamento em termos de futuro ambiental saudável. Temo que esse muito falar sobre meio ambiente acoberte pretextos outros, lembrando-me a correnteza barulhenta de um rio raso… como a expectativa de novos negócios (as "más línguas" falam na compra de hidrelétricas em lugares estratégicos do planeta como uma forma de deter o poder num futuro com escassez de água, por exemplo),como a exploração de um novo e promissor filão comercial que é a venda de produtos ecologicamente corretos…
 
Penso que o real problema que a humanidade enfrenta resume-se a três aspectos; demográfico (como conter o crescimento populacional com qualidade de vida), econômico (como efetivar o suprimento igualitário das necessidades do contingente populacional) e energético (como fornecer e utilizar energia renovável sem devastar o meio ambiente). A questão ambiental não se resume a passeatas, abraços em árvores, cercos a navios, discursos de  políticos para se alçarem ao poder ou nele permanecer…É isso sim, mas muito mais, pois que é um sintoma do tríplice problema que expus. Solução? Não a tenho; porém, pressinto que deve alicerçar-se na educação (escolas, família, pesquisas, diálogos internacionais), no respeito e no amor a sí mesmo, ao outro, à casa de todos nós, num dar-se as mãos à procura de soluções. Afinal de contas, estamos percebendo que os sintomas do planeta Terra prenunciam o terrível diagnóstico da extinção de nossa própria espécie! É tolo esperar que o futuro inóspito comece para impulsionarmos uma ação…o futuro começa no próximo instante…
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